O ex-prefeito de Barretos, Guilherme Ávila (PSDB) será intimado a depor na Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga desvio de cerca de R$ 10 milhões através das obras no Recinto de Eventos de Barretos (CPI do Recinto). Os pagamentos à empresa contratada foram feitos na gestão de Ávila que assinou o Termo de Recebimento Definitivo (TRD) apresentado pela Cesari Engenharia, empresa que foi contratada por ele em substituição à CBN Construções, vencedora da licitação. A decisão de ouvir o ex-prefeito foi anunciada nesta quarta-feira,31, durante audiência da CPI. O presidente da Comissão, Angelo Tegami (PV) ameaçou a condução coercitiva de engenheiros da Caixa que fiscalizaram as obras do Recinto.
O engenheiro Marcelo Basso responsável pela obra, interrogado pela CPI nesta quarta, disse recebeu a obra com aproximadamente 50% já concluída. Ele tentou eximir sua empresa de responsabilidade pelos problemas verificados na obra. Em visita técnica, os membros da CPI identificaram várias irregularidades, como, por exemplo, um telhado que foi trocado sem que a estrutura de madeira fosse substituída, uma cerca da arena danificada e outras irregularidades. Basso tentou se esquivar das acusações. O engenheiro explicou que a Caixa Econômica Federal só libera os pagamentos após as medições, que são as etapas concluídas do projeto, o que prova que o contrato foi cumprido. A empresa foi procurada pelo BOM DIA mas não respondeu à mensagens deixadas em aplicativo, e-mail e nem às chamadas telefônicas.
Sobre o atraso nas obras, Basso disse que foi em razão dos problemas que a empresa Cesari encontrava no Recinto após a realização de eventos no local, como furtos de cabos de energia, danos provocados pela passagem de caminhões para transporte de equipamentos, depredação dos banheiros e outros. O advogado da empresa Luciano Branco Guimarães explicou que a Prefeitura assinou Termo de Recebimento Definitivo da Obra. A Prefeitura também teria encaminhado ofício à Caixa certificando o cumprimento do projeto. Os vereadores aprovaram que essa documentação seja juntada aos autos da investigação.
A CPI vai insistir nos pedidos para que a Caixa encaminhe os documentos que ampararam os pagamentos feitos à Cesari Engenharia com base nas medições. O presidente da Comissão, Angelo Tegami, visivelmente irritado com a resistência de engenheiros da Caixa em não comparecer para dar explicações, ameaçou pedir à Justiça a condução coercitiva dos engenheiros. Neste caso, se a Justiça acatar o pedido, a policia detém os engenheiros para que eles prestem depoimento à CPI. Eles serão novamente convocados.
ATUALIZANDO - A empresa Cesari Engenharia, responsável pela obra que está sendo investigada pela CPI do Recinto, emitiu nota oficial, encaminhada ao BOM DIA às 8h21 desta quinta-feira,1, em que ameaça processar a quem a caluniar. Veja o teor da nota:
"A Cesari Engenharia e Construção Ltda, compareceu na sessão do dia 31/08/2022, às 14:00 hs, através de seu preposto, acompanhado de seu advogado, como TESTEMUNHA sendo que não lhe fora imputada qualquer indiciamento ou irregularidades.
Colaborou com a CPI oferecendo documentação pertinente e se colocou à disposição para quaisquer esclarecimentos futuros.
A obra foi executada dentro do projeto, sendo fiscalizada pela prefeitura e pela Caixa Econômica Federal, assumindo a obra via subrogação de outra empresa - sendo que fora executada, medida e paga sem qualquer ressalva.
Todo e qualquer valor recebido foi executado, medido, devidamente comprovado por documentos fiscais e planilhas e serão disponibilizadas à CPI, cuja solicitação será providenciada pela mesa da CPI por escrito, conforme definido na sessão.
Não existe qualquer relação de amizade entre a Cesari Engenharia Ltda, seus diretores ou políticos sejam eles atuais ou passados.
Informa também, que em anexo apresenta vasta documentação sobre a obra elencada, e que nada tem a temer sobre divagações caluniosas e injuriosas por parte de alguns que, por desconhecimento da realidade lançam sob a imprensa inverdades que não contribuem com a manutenção do bom nome da empresa e com o já consolidado crédito adquirido pela entrega dos diversos empreendimentos aos habitantes de nossa coletividade.
Quaisquer inverdades e caluniosas alegações imputadas à empresa tratará com os rigores da lei, através dos meios jurídicos próprios, na época oportuna."