Política RECINTO DA DEMANDA
Empresário desfia CPI a ler relatório com mais de mil páginas para não “falarem besteira”; ele nega irregularidade na obra
Gustavo Cesari, dono da construtora que reformou Recinto de Barretos diz que teve prejuízo; também nega amizade com ex-prefeito suspeito de desviar R$ 10 milhões
10/09/2022 18h36
Por: Redação Barretos Fonte: Jair Viana
Com fachada antiga, estilo colonial, este é Recinto da discórdia e da dúvida

O empresário Luiz Gustavo Cesari diretor proprietário da Cesari Engenharia disse que vai encaminhar à Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga o desvio de cerca de R$ 10 milhões da obra de recuperação do Recinto de Eventos da cidade um relatório com mais de mil páginas. Ele quer que os vereadores leiam tudo para depois fazer qualquer questionamento.

A obra foi iniciada pela vencedora da licitação, CBN Construtora, que abandonou o canteiro. Com o abandono pela CBN, a Cesari assumiu em caráter de urgência, sendo obrigada a seguir o projeto original. Em 2012, quando a obra foi contratada pelo ex-prefeito Emanuel Carvalho, foi orçada em R$ 8 milhões. A primeira empreiteira ficou com pelo menos R$ 3 milhões e deixou a obra.

Durante as investigações da CPI, os vereadores ouviram recentemente o engenheiro Marcelo Basso, da Cesari, e insinuaram diversas vezes que a empresa não havia cumprido o projeto. Ele contestou e afirmou que a cada metragem entregue, a Caixa Econômica fiscalizava para comprovar o cumprimento e efetuava o pagamento da referida medição.

Em entrevista ao BOM DIA, Gustavo Cesari se disse indignado com o envolvimento de sua empresa na investigação. “Nunca havia feito obra pública. Esta não foi a primeira, mas a última que fizemos”, desabafou. Cesari, visivelmente irritado com a situação contou que sua empresa teve prejuízo com a obra. “Na boa intenção, no lugar de uma porta de madeira, colocamos uma metálica. A Caixa reprovou e não pagou”. Ele enumerou outras trocas que fez e também não recebeu.

EX-PREFEITO – O ex-prefeito Guilherme Ávila (PSDB), que assumiu o governo no início da obra, é investigado pelo suposto desvio de R$ 10 milhões aproximadamente. Ao BOM DIA, Ávila negou que tenha desviado. Ele também disse não saber “sobre dinheiro desviado”. Questionado se saberia dizer desviou, o político negou. 

Ao ser questionado sobre sua relação com Guiulherme Ávila, Gustavo Cesari negou qualquer tipo de relacionamento com ele. O empresário não gosta de ser relacionado a qualquer irregularidade e, em especial a qualquer suspeita sobre o destino do dinheiro que a CPI investiga. “Todas as medições foiram feitas junto á Caixa Econômica e a Prefeitura”, explicou.

O empresário ainda disse que “a  Prefeitura tinha que pagar uma contrapartida pequena, mas quase sempre não tinha e eu ficava sem receber”, afirmou. Segundo Cesari, quando sua empresa assumiu a obra, em 2014, as planilhas não eram boas e o valor era de 2012. Bem defasado”, disse. Cesari repetiu o que dizia desde o início da entrevista: “não tem a ver com Guilherme(ex-prefeito), com ninguém da Prefeitura. Eu nunca fiz obra pública. Essa foi a única. Foi a primeira e a última. Foi a pior besteira que fiz na vida”, disse.

Sobre o relatório da obra, Cesari afirmou que já juntou mais mil páginas de informações sobre a obra. “Vou enviar para os vereadores da CPI e faço questão que eles leiam tudo e venham me questionar para nunca falar falarem besteira com meu nome”, afirmou. Ele disse ainda que “não dou motivo para ninguém falar besteira com o meu nome. Eu dou emprego, recolho impostos e gero renda”, afirmou.

Sobre as irregularidades na obra apontadas pelos membros da CPI, depois de uma suposta visita técnica ao local, o empresário desmentiu. “Eles colocavam bois que pesam uma tonelada para ficar zanzando sobre pedrinhas portuguesas e depois vinha reclamar que o piso estava irregular”, disse. Ele disse que os vereadores falam besteira.

A Cesari não tem experiência em obras públicas, pois seu forte é a construção de condomínios de apartamentos em Barretos, no Estado de São Paulo e Mato Grosso. Da obra que realizou no Recinto, a empresa ainda não recebeu tudo o que foi contratado. O contrato com a Cesari seria de R$ 5 milhões. A CPI investiga sobre o destino que o ex-prefeito Guilherme Ávila deu ao dinheiro. Ele foi intimado e vai prestar depoimento na próxima quarta-feira, 14.

O presidente da CPI do recinto, Angelo Tegami, na última audiência chegou a ameaçar conduzir coercitivamente engenheiros da Caixa Econômica para que prestem depoimento à Comissão. O presidente da CPI, vereador Angelo Tegami (PV) foi procurado para comentar o assunto e não retornou às mensagens deixadas em seu aplicativo. Assim que se manifestar o texto será atualizado.