Uma das vítimas do regime militar (1964/1985), que sofreu perseguição, foi presa e torturada , a enfermeira Áurea Moretti, 78 anos, morreu nesta quinta-feira,15, em Ribeirão Preto. Ela estava com Alzheimer, mas a causa da morte não foi informada pela família.
O corpo de Áurea está sendo velado na Câmara Municipal de Ribeirão Preto como homenagem por sua luta pela democracia e será sepultado nesta sexta-feira,16.
Áurea morreu aos 78 anos e deixa uma história de luta, de resistência à ditadura. Ela nasceu na Fazenda Peroba, na região de São Joaquim da Barra. Depois de sua mudança com a família para Ribeirão Preto, começou a estudar na USP e ingressou no movimento estudantil.
A enfermeira foi militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e integrante da Forças Aramadas de Libertação Nacional (FALN), grupo de resistência contra a ditadura militar.
Em outubro de 1969, Áurea foi presa em Ribeirão Preto e passou por diversos presídios do estado, dentre eles o Tiradentes, em São Paulo, onde participou de uma greve de fome em solidariedade a casos de mortes políticas e conviveu com a ex-presidente Dilma Roussef.Áurea ainda ficou um ano em liberdade condicional e passou a ter moradia fixa em Ribeirão Preto, onde viveu com esposo e filha.
TORTURA - Áurea Moretti é citada pelo menos dois documentos da ditadura militar disponíveis no Arquivo Público do Estado de São Paulo.Na primeira ficha, de 1969, ano em que foi presa por se opor ao regime militar, consta que ela foi interrogada sobre Vanderley Caixe, outro representante esquerdista da região. Em outro documento, de junho de 1972, os militares informam que a militante havia acabado de encerrar uma greve de fome e tinha sido transferida.
Em uma entrevista concedida à EPTV/Globo, em 2013, Áurea contou sobre torturas sofridas em presídios. Ela disse que com outros presos políticos era obrigada a assinar relatórios e depois era espancada. A enfermeira também relatou que constantemente recebia choques elétricos pelo corpo.
“Eles jogavam água no corpo para aumentar o efeito e era a noite inteira tomando choque em todas as partes. Até hoje não entendo como a gente sobreviveu. Muitos morreram”, disse.
Na mesma entrevista, Áurea contou que conviveu com a ex-presidente Dilma Rousseff no Presídio Tiradentes, na capital paulista.
“Ficamos presas na Torre das Donzelas [masmorra feminina]. Depois veio a greve de fome e foi quando nos separamos. Eu fui de castigo para a penitenciária de Tremembé e de lá sai com liberdade condicional de um ano", contou.