Cidades DA LUXÚRIA À IRA
Padres revoltados com "contribuição compulsória" para pagar por crime sexual cometido por colega de batina
Cada padre é obrigado a pagar R$ 300 por mês para ajudar Diocese de Catanduva a pagar indenização provocada por crimes sexuais do padre Barrinha contra criança de 11 anos
12/03/2023 11h54 Atualizada há 3 anos
Por: Redação Barretos Fonte: Jair Viana
O bispo de Catanduva, Valdir Mamede impôs contribuição para pagar indenização/Foto;Diocese de Catanduva

Os padres da Diocese de Catanduva estão revoltados por terem descontados de seus salários o valor de R$ 300 por mês. A decisão do bispo diocesano, Valdir Mamede, tem como justificativa a indenização de R$ 210 mil a que a Diocese foi condenada a pagar a uma jovem que sofreu abusos sexuais por um padre que, para revolta geral, ainda comanda uma paróquia. A jovem tinha apenas 11 anos quando foi abusada.Quem não contribuir pode ser transferido.

O bispo decretou uma “contribuição compulsória” de R$ 300 por mês. A Cúria e o padre Osvaldo Donizeti da Silva, o "padre Barrinha". O juiz que condenou o pároco e a Diocese entendeu que o acusado agiu em nome da igreja. Mais tarde, o padre teve a pena de 9 anos extinta, pois o Tribunal de Justiça converteu o crime de estupro de vulnerável para a contravenção penal de importunação sexual.

A tal "contribuição compulsória" se aplica aos 47 padres da Diocese. Só tem duas condições para o padre não contribuir: se for aposentado ou sofrer doença grave ouo padre que seja responsável por alguém da família doente. Cada padre recebe por mês R$ 2,7 mil. A ordem do bispo foi dada através de áuduio pelo Whatsapp. 

No áudio, Dom Mamede diz que a contribuição dos padres é necessária, porque os R$ 210 mil, com correção monetária e custas processuais, sobe para R$ 500 mil. O bispo diz que há, inclusive, um fundo financeiro iniciado, com dinheiro da Cúria e do padre Barrinha.

“Nós somos convidados, por dez meses, a contribuir com R$ 300, para que nós consigamos o valor suficiente para poder pagar o resultado que for fixado em segundo grau, para indenização, caso não haja recurso ao Superior Tribunal de Justiça (STJ)”, diz o bispo no áudio.

“Aqueles que não puderem contribuir, façam chegar através de uma carta motivada, que diz “eu não posso contribuir por esse motivo ou eu não quero contribuir por esse motivo”. Então, os casos, nestas possibilidades, serão analisados por mim e pelo ecônomo e vigário-geral da diocese”, diz o bispo na mensagem.

PECADO DA IRA - Alguns padres que falaram sob anonimato, temendo represálias, afirmam que não acham justo que todos sejam obrigados a pagar pelo que apenas um sacerdote fez."O padre Barrinha pecou e, pela Cúria, todos nós somos culpados?", disse um deles.

Outro pároco disse que é contra a contribuição "já ganhamos uma ninharia, um salário vergonhoso e, por culpa de alguém que se entregou ao pecado da luxúria os demais pagam a mesma penitência. Isto é justo?", questiona.

LUXÚRIA - Os abusos do padre Barrinha foram 2013, na paróquia do municipio de Sales, vizinho a Catanduva. Foi durante um ato de confissão que o padre Osvaldo Donizete da Silva teria abusado sexualmente de uma menina de 11 anos.Mais tarde, com medo, a garota contou à família que procurou a Polícia.

O padre ficou na cadeia de Novo Horizonte, mas foi libertado após o Tribunal de Justiça converter de crime de estupro para importunação sexual, que é contravenção.Ele havia sido condenado a nove anos e quatro meses. 

SILÊNCIO - Procurado para falar sobre o assunto, Dom Mamede preferiu citar apenas o Cânone 1263 (espécie de lei interna da Igreja) para justificar que como bispo ele pode impor a contribuição.