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Vereadores da CPI do Recinto não incomodam o ex-prefeito de Barretos; eles investigam desvio de R$ 10 milhões

Muto tranquilo, entre amigos, o ex-prefeito de Barretos, Guilherme Ávila praticamente "bateu papo" com vereadores

21/09/2022 às 16h28 Atualizada em 21/09/2022 às 20h29
Por: Redação Barretos Fonte: Jair Viana
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Sem ser incomodado e tratado pela CPI como visita ilustre, Gulherme sentiu-se
Sem ser incomodado e tratado pela CPI como visita ilustre, Gulherme sentiu-se "em casa"/Foto:TV Câmara Barretos

Sem ser surpreeendido pelos vereadores da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI do Recinto), com qualquer pergunta incômoda, o ex-prefeito de Barretos, Guilherme Ávila (PSDB), usou a "falta de manutenção" do Recinto Paulo Lima como justificativa para a situação em que se encontra o local. Ele se esquivou de qualquer responsabilidade pelas irregularidades encontradas no local que foi reformado em sua gestão. Para Ávila, o projeto original foi seguido à risca e, segundo ele, a Caixa fazia as medições, fiscalizando o andamento, aprovando e autorizando os pagamentos. As afirmações foram feitas nesta quarta-feira,21, durante seu depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). Os vereadores da CPI pediram até desculpas por ter intimado o ex-prefeito, observando que ele não estava sendo acusado de nada.

Durante sua fala aos vereadores da Comissão, Guilherme Ávila estava tranquilo e seguro, não demonstrando incômodo por estar sendo interrogado. Ávila falou das garantias que são adotadas em obras como as realizadas no Recinto. Ele explicou que cada item da obra tem um prazo de garantia. O presidente da CPI, vereador Angelo Tegami (PV) pediu a exibição de fotos que apontam a deterioração do Recinto. O ex-prefeito insistiu que essas questões estão relacionadas à manutenção. Tegami quis saber sobre o pagamento de cerca de R$ 3 milhões á empresa CBH, a que venceu a licitação. Ele não explicou. O valor total da obra foi de R$ 9 milhões, segundo revelou o ex-prefeito.

Sobre a Cesari Engenharia, a segunda empresa a assumir a obra, Tegami disse que a empresa também se defendeu de qualquer responsabilidade sobre a não execução de trechos da obra. Segundo Tegami, a empresa atribuiu responsabilidade à Prefeitura.  Ele ainda exibiu um termo de recebimento da obra assinado por dois secretários municipais. O vereador questionou se o ex-prefeito havia assinado. Ele disse que cabe aos secretários receber e assinar o termo. Para Tegami há uma suspeita sobre a veracidade do documento apresentado pela Prefeitura.

O vereador Angelo Tegami, que é engenheiro civil disse que as obras realizadas no Recinto tinham um valor determinado. Ele sugeriu que a Cesari seja chamada para terminar a obra como estabelece o projeto. Guilherme sugeriu que seja feita uma avaliação para conferir se a empresa obedeceu ou não ao projeto. “Cobre a empresa se ela colocou ou não o que está no projeto”. Ele insistiu que a situação em que se encontra o local tem como motivo a falta de manutenção.

Segundo Guilherme Ávila, as reposições que foram feitas no local da obra, em geral eram pagos pela Prefeitura. O vereador Nestor Leonel sugeriu que sejam levantados os boletins de ocorrência registrados pela Cesari Engenharia para que se apure tudo. A empresa já se manifestou sobre o assunto, negando qualquer irregularidade na execução da obra.

Os engenheiros da Caixa, responsáveis pela medição e fiscalização da obra, deverão ser convocados pela CPI para dar esclarecimentos. Angelo Tegami disse que há muitas dúvidas a serem esclarecidas.

Para Tegami, as empresas que atuaram na obra do Recinto deixaram a desejar. Ele questionou as razões dessas empresas, em suas obras particulares não cometem as mesmas irregularidades verificadas na obra do Recinto. O membro da CPI, Nestor Leonel sugeriu a reconvocação da empresa Cesari.

 No final da audiência, onde o ex-prefeito foi deixado à vontade, sem qualquer pergunta embaraçosa, o presidente da CPI agradeceu ao ex-prefeito e sugeriu que a pressão deve ser exercida sobre os engenheiros da Caixa. Guilherme demonstrou se sentir “em casa”, e disse que estará à disposição da CPI, caso seja necessário voltar. Sob a condição.O relator da CPI, Raphael Silvério (PSDB) disse que a Comissão já demorou muito para encerrar os trabalhos. Ex-engenheiros da Prefeitura e da Caixa serão convocados para audiência no próximo dia 5 de outubro.

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