
Dois engenheiros da Caixa estão intimados para depor, nesta quarta-feira,5, na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga o desvio de cerca de R$ 10 milhões destinados à reforma do Recinto Paulo Lima, em Barretos.
Os engenheiros José Valter dal Moro Filho e Luiz Henrique Sampaio de Castros seriam os responsáveis pela fiscalização e medição da obra. A CPI teve dificuldades para conseguir intimar os dois engenheiros e chegou a ameaçar a condução coercitiva deles para depor.
Na audiência, os profissionais da Caixa serão questionados sobre uma série de irregularidades que a CPI, em visita técnica ao local, durante as investigações encontrou. Os vereadores querem saber como foram efetuados os primeiros pagamentos mesmo diante dos problemas.
A falta de manutenção do Recinto Paulo Lima é a justificativa do ex-prefeito de Barretos, Guilherme Ávila (PSDB) para a situação em que se encontra o local. Durante seu depoimento à CPI, no dia 21 de setembro, ele se esquivou de qualquer responsabilidade pelas irregularidades encontradas no local, que foi reformado em sua gestão.
Para Ávila, o projeto original foi seguido à risca e, segundo ele, a Caixa fazia as medições, fiscalizando o andamento, aprovando e autorizando os pagamentos. Os vereadores da CPI pediram até desculpas por ter intimado o ex-prefeito, observando que ele não estava sendo acusado de nada.
Durante sua fala aos vereadores da Comissão, Guilherme Ávila estava tranquilo e seguro, não demonstrando incômodo por estar sendo interrogado. Ávila falou das garantias que são adotadas em obras como a realizada no Recinto. Ele explicou que cada item da obra tem um prazo de garantia.
O presidente da CPI, vereador Angelo Tegami (PV) pediu a exibição de fotos que apontam a deterioração do Recinto. O ex-prefeito insistiu que essas questões estão relacionadas à manutenção. Tegami quis saber sobre o pagamento de cerca de R$ 3 milhões á empresa CBH, a que venceu a licitação. Ele não explicou. O valor total da obra foi de R$ 9 milhões, segundo revelou o ex-prefeito.
Sobre a Cesar Engenharia, a segunda empresa a assumir a obra, Tegami disse que a empresa também se defendeu de qualquer responsabilidade sobre a não execução de trechos da obra. Segundo Tegami, a empresa atribuiu responsabilidade à Prefeitura. Ele ainda exibiu um termo de recebimento da obra assinado por dois secretários municipais. O vereador questionou se o ex-prefeito havia assinado. Ele disse que cabe aos secretários receber e assinar o termo. Para Tegami há uma suspeita sobre a veracidade do documento apresentado pela Prefeitura.
O vereador Angelo Tegami, que é engenheiro civil disse que as obras realizadas no Recinto tinham um valor determinado. Ele sugeriu que a Cesari seja chamada para terminar a obra como estabelece o projeto. Guilherme sugeriu que seja feita uma avaliação para conferir se a empresa obedeceu ou não ao projeto. “Cobre a empresa se ela colocou ou não o que está no projeto”. Ele insistiu que a situação em que se encontra o local tem como motivo a falta de manutenção.
Segundo Guilherme Ávila, as reposições que foram feitas no local da obra, em geral eram pagos pela Prefeitura. O vereador Nestor Leonel sugeriu que sejam levantados os boletins de ocorrência registrados pela Cesari Engenharia para que se apure tudo. A empresa já se manifestou sobre o assunto, negando qualquer irregularidade na execução da obra.
Os engenheiros da Caixa, responsáveis pela medição e fiscalização da obra, deverão ser convocados pela CPI para dar esclarecimentos. Angelo Tegami disse que há muitas dúvidas a serem esclarecidas.
Para Tegami, as empresas que atuaram na obra do Recinto deixaram a desejar. Ele questionou as razões dessas empresas, em suas obras particulares não cometem as mesmas irregularidades verificadas na obra do Recinto. O membro da CPI, Nestor Leonel sugeriu a reconvocação da empresa Cesari.
No final da audiência, onde o ex-prefeito foi deixado à vontade, sem qualquer pergunta embaraçosa, o presidente da CPI agradeceu ao ex-prefeito e sugeriu que a pressão deve ser exercida sobre os engenheiros da Caixa. Guilherme demonstrou se sentir “em asa”, e disse que estará à disposição da CPI, caso seja necessário voltar. Sob a condição.O relator da CPI, Raphael Silvério (PSDB) disse que a Comissão já demorou muito para encerrar os trabalhos.
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