
O câncer de colo do útero é o terceiro mais comum entre as mulheres no Brasil e é causado pelo Hapilomavírus humano, o HPV. Nesse cenário, a vacinação surge como a principal forma de prevenção. De acordo com a médica Maria Del Pilar Estevez Diz, diretora de corpo clínico do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), a imunização é a medida mais segura para reduzir o número de casos e proteger a população.
O HPV é uma família com mais de 200 tipos de vírus, dos quais cerca de 15 são considerados carcinogênicos — ou seja, podem causar diferentes tipos de câncer, como o de colo do útero, de pênis, de canal anal e de orofaringe. “Quase 100% dos casos de câncer de colo do útero são causados pelo HPV”, explica a médica.
A vacina estimula a resposta imunológica do corpo, o que impede que o vírus se instale no organismo. “A principal maneira de se proteger contra o HPV hoje é despertando a imunidade. Quando o corpo entra em contato com o vírus real, já está preparado para se defender”, afirma em participação no SP em 3, 2, 1, programa da Agência SP.
A imunização é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e está disponível em unidades básicas de saúde de todo o estado de São Paulo. O público-alvo são meninas e meninos de 9 a 14 anos, faixa etária em que o sistema imunológico responde de forma mais eficiente.
“É essencial que a vacinação ocorra antes do início da vida sexual, ou seja, antes da exposição ao vírus. Nessa faixa etária, conseguimos despertar o sistema imune de maneira mais eficiente”, explica Pilar.
O esquema vacinal consiste em uma dose para crianças e adolescentes . A aplicação é feita em UBSs e também em campanhas escolares organizadas pela Secretaria de Estado da Saúde, que reforça a importância de manter o cartão de vacinação atualizado.
Além de crianças e adolescentes, pessoas com imunidade comprometida também devem se vacinar. “A população imunossuprimida tem risco maior de desenvolver cânceres mais rapidamente e com formas mais agressivas”, alerta Pilar.
O grupo inclui pessoas que vivem com HIV, pacientes transplantados, pessoas com diagnóstico de câncer e aquelas que fazem uso de medicamentos imunossupressores. Para esses casos, a vacinação é indicada até os 45 anos, com três doses aplicadas na rede pública.
Os efeitos colaterais da vacina contra o HPV são leves, como dor no local da aplicação. “Não há eventos adversos graves. É uma vacina altamente segura”, afirma a médica.
Ela também esclarece uma dúvida comum entre pais e responsáveis: a ideia de que vacinar adolescentes estimularia o início precoce da vida sexual. “Não existe nada que comprove isso. O início da vida sexual está relacionado à educação sexual e ao diálogo em casa, não à vacinação”, reforça.
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