
As redes sociais são atuais substitutas das interações físicas. Através de likes e mensagens, o contato humano se torna afastado em diferentes faixas etárias, porém, idosos têm esse isolamento agravado.
“A população com mais de 60 anos enfrenta, por exemplo, perda de parceiros e amigos, além de mobilidade reduzida. A solidão é tão séria que a OMS a considera um problema de saúde pública. Ela aumenta o risco de depressão, ansiedade e até doenças físicas, como hipertensão e Alzheimer. Por outro lado, os jovens também estão suscetíveis a esse sentimento prejudicial, ao lidarem com pressões sociais e a ilusão de conexão nas redes”, explica o médico e coordenador do programa USP 60+ da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da USP, Egídio Dórea.
Um estudo de Harvard , que acompanhou pessoas por 80 anos, concluiu que relacionamentos de qualidade são o maior preditor de felicidade e saúde na velhice. A solidão pode ser prevenida através de relações sociais consideradas casuais, mas de muito importância, explica Dórea. “O que chamamos de weak links, como o papo com o barista ou o vizinho, também fazem a diferença. Um estudo de 2014 mostrou que pessoas com mais interações casuais relatam maior bem-estar. Então, aquele “bom dia” no elevador? Ele importa mais do que parece”.
A solidão é um aspecto social que apresenta danos à saúde. Principalmente no envelhecimento, esse é um sentimento a ser evitado. Dórea define a solidão como um “sentimento de vazio ou desconexão”. A presença de pessoas não anula a existência desse sentimento, por ser “aquela sensação de não ser compreendido ou de não pertencer. Por outro lado, isolamento social é a ausência objetiva de contato social, como viver sozinho ou ter poucas interações com as pessoas.”
Além desses termos, ainda existe o de solitude, que, diferente dos outros dois, é um estado voluntário, muitas vezes positivo. É o momento que escolhemos estar sozinhos para refletir, criar ou recarregar as energias. A grande diferença está na percepção. Enquanto solitude é escolha, a solidão é sofrimento.
Entre 2005 e 2015, o número de pessoas vivendo sozinhas subiu 39%, segundo o IBGE, o que leva a um afastamento dos círculos sociais. Para o médico, “vários fatores históricos e sociais explicam. A urbanização quebrou laços comunitários tradicionais. Hoje, vivemos em apartamentos, muitas vezes sem conhecer os vizinhos. A globalização e a mobilidade também nos afastam de amigos e familiares. E, claro, a tecnologia, que conecta, mas também isola”.
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