
O trabalho faz parte da rotina de Adelson Green Rodrigues desde a infância, quando capinava a terra, carregava sacas de milho e cuidava de porcos e aves na chácara da família em Novo Horizonte, a 399 quilômetros da capital paulista. Adelson é um dos mil professores Nota 1.000 da rede estadual, premiação recém-criada pela Secretaria da Educação (Seduc-SP) para homenagear os docentes que se destacam por fatores como frequência, resultados nas avaliações e desempenho dos alunos.
“Nosso sustento vinha dali. Eu não tinha dinheiro para comprar um saco de pipoca no fim de semana”, lembra o professor, que teve a vida transformada pela educação. Graduado em história, filosofia e pedagogia, ele busca abrir perspectivas para outros estudantes, um trabalho que vem dando frutos – “A maior felicidade é encontrar um ex-aluno e saber que está na universidade” – e acaba de ser reconhecido.
Aos 64 anos de idade, 28 deles como professor da Escola Estadual Pedro Brandão dos Reis, no município de José Bonifácio (a 481 quilômetros da capital paulista), Adelson não pretende parar tão cedo. “Daqui a seis anos, vou pensar nisso, vai depender das minhas condições físicas. Acredito que o conhecimento proporciona oportunidades, aprovações e melhores condições econômicas”, diz o professor, que compartilha sua história em sala de aula para engajar os alunos.
Aposentado da matéria de história, ele segue lecionando filosofia e sociologia, área em que fez mestrado na Unesp, e expandindo as estatísticas. Quase duas décadas acima da média de idade dos professores da rede estadual, que é de 47,3 anos entre as mulheres e de 45,6 entre os homens, ele é um dos 6.492 docentes aposentados da rede estadual que seguem na ativa, dos 200 mil docentes em atividade.
“Dar aula na rede estadual é a concretização de um sonho. Já lecionei por mais de vinte anos na rede particular de ensino, mas é na pública que me realizo”, conta o professor, que se sentiu atraído pelo magistério ao trabalhar na delegacia de ensino municipal de sua cidade natal, Novo Horizonte. “Hoje, tenho certeza de que fiz a escolha certa. Sinto-me realizado quando vejo um aluno que estudou na EE Pedro Brandão dos Reis formar-se em medicina; outro ingressar na Unesp; outro trabalhar em uma universidade pública”, diz. “Adoro a escola, meus alunos e o trabalho que faço. Sinto-me realizado como docente de filosofia e sociologia e com os projetos que desenvolvo.”
Os projetos que Adelson menciona são dois cursos pontuais, um de combate à violência contra a mulher, e outro relacionado às culturas africanas presentes no Brasil, que teve início na Semana da Consciência Negra de 2024. Por esse projeto, já foram feitas apresentações de maculelê, carimbó e capoeira na escola e em outras instituições de ensino e mais recentemente, na Unidade Regional de Ensino de José Bonifácio.
Ao todo, além dos projetos, Adelson dá 30 aulas por semana, entre aulas regulares de filosofia e sociologia, e eletivas para o vestibular. “A universidade pública deve ser vista como um sonho e um objetivo a ser alcançado. A educação continua sendo uma das melhores oportunidades para melhorar a qualidade de vida.”
Adelson atua em uma das unidades do Programa Ensino Integral (PEI) da rede estadual de ensino. Atualmente, são 2.485 unidades que atendem em jornadas estendidas de sete ou nove horas diárias. No próximo ano letivo, a Educação de SP, que já tem mais de 1 milhão de matriculados no modelo, deve ampliar em mais de 100 mil as vagas no modelo.
Atualmente, a Educação concentra 33% dos mais de 3 milhões de estudantes da rede em unidades de tempo integral — oito pontos percentuais a mais que a meta nacional de 25%, estabelecida pelo Plano Nacional de Educação (PNE). Na comparação com o ano de 2022, último ano da gestão anterior, em 2026 a rede estadual tem 19% mais alunos matriculados no modelo.
Mil professores da rede estadual de ensino foram homenageados nesta segunda-feira (5) no 1º Prêmio Professor Nota 1.000, criado neste ano pelo Governo de São Paulo para reconhecer os professores das escolas da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) a partir do desempenho de seus estudantes e da frequência em sala de aula. Essa é a etapa final do Prêmio Professor Nota 10, com 25 mil docentes celebrados em todas as regiões do estado.
O professor Adelson é um dos 166 professores da região de São José do Rio Preto homenageados no evento. A região administrativa é a que concentra o maior número de docentes reconhecidos pela premiação, depois da capital e da RMSP.
Para chegar aos professores premiados, a Educação considerou as maiores pontuações na análise de critérios como frequência em sala de aula, avaliação de desempenho e notas dos alunos no Saresp (Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo), exame aplicado todos os anos pela Educação de SP para medir a qualidade do ensino básico. Dos 25 mil docentes reconhecidos no Professor Nota 10, os mil que mais bem pontuaram foram selecionados para o Professor Nota 1.000 e receberam uma medalha das mãos de Feder, no evento desta segunda.
As medalhas de Professor Nota 1.000 foram entregues no início da manhã. Em nível regional, as Unidades Regionais de Ensino têm promovido celebrações para festejar seus Professores Nota 10 com a entrega de troféus.
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