
O modelo paulista de recuperação de ativos tem atraído a atenção de órgãos de segurança pública de outras regiões do país. Nas últimas semanas, São Paulo recebeu 31 representantes de instituições dos estados do Amapá, Maranhão, Piauí, Roraima e Tocantins para uma série de encontros técnicos voltados ao compartilhamento de estratégias de combate financeiro ao crime organizado. A iniciativa dá continuidade a uma agenda de cooperação já iniciada em 2025, quando profissionais de Alagoas também participaram de uma imersão sobre o programa.
As visitas foram realizadas no âmbito do Recupera-SP, programa da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo que atua na identificação, bloqueio, gestão e destinação de bens e valores vinculados a atividades criminosas. A iniciativa busca atingir a estrutura econômica de organizações criminosas, complementando as ações tradicionais de investigação e responsabilização penal.

A programação incluiu apresentações sobre os fluxos de trabalho adotados em São Paulo, mecanismos de governança patrimonial, medidas de recuperação de ativos e integração entre diferentes órgãos públicos. Os participantes também conheceram as atividades desenvolvidas no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC) e acompanharam reuniões com instituições parceiras do programa.
As agendas ocorreram ao longo dos últimos meses. A primeira delegação a participar da imersão foi a do Maranhão, em fevereiro. Já em maio e junho, São Paulo recebeu representantes do Piauí, Amapá, Roraima e Tocantins, consolidando uma agenda de cooperação técnica voltada à disseminação de boas práticas na área.
Durante os encontros, foram debatidos temas como inteligência patrimonial, medidas assecuratórias, gestão de bens apreendidos, alienação antecipada e destinação de ativos. A troca de experiências permitiu que os participantes discutissem desafios comuns e soluções aplicadas em diferentes realidades estaduais.
O interesse de outros estados reflete os resultados alcançados pelo modelo paulista e reforça a tendência de ampliar, em âmbito nacional, estratégias voltadas ao enfraquecimento financeiro das organizações criminosas. A expectativa é que as visitas técnicas se tornem uma agenda permanente de cooperação entre as instituições de segurança pública.

“A recuperação de ativos deixou de ser um tema acessório e passou a ocupar posição estratégica no enfrentamento ao crime organizado. Compartilhar a experiência de São Paulo com outros estados fortalece as instituições e amplia a capacidade do poder público de atingir o patrimônio ilícito e devolvê-lo à sociedade”, destacou o delegado Lawrence Tanikawa, responsável pelo Recupera-SP.
Além de atingir financeiramente organizações criminosas, o Recupera-SP tem transformado valores recuperados em investimentos para o fortalecimento das forças de segurança.
Dados do programa indicam que R$ 57 milhões foram recuperados e aguardam destinação. Até maio deste ano, R$ 34,2 milhões do montante acumulado tiveram aplicação confirmada. O total de recursos sob monitoramento ultrapassa R$ 128 milhões.
Os valores são empregados em melhorias estruturais e tecnológicas, como aquisição de equipamentos, reformas de unidades policiais, implantação de novas instalações, desenvolvimento de sistemas e contratação de ferramentas voltadas à inteligência e à investigação. A proposta é garantir que o patrimônio retirado da criminalidade retorne à sociedade por meio do fortalecimento dos serviços públicos.

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